CERCADITO

(MILONGA)

Sapecada da Canção Nativa

                                         CERCADITO.

 

Cercadito, arame “froxo”,

que o boi manso “afroxou”,                                   Milonga

boi fumaça “ muy” rocero,

se escorou no arame bom.

 

Tu me agrada cercadito,

quando vejo a chinoquinha,

a trança negra abanando,

e um balaio na cintura.

 

Colhendo a fruta madura,

milho verde, mandioquinha,

munhata, milho catete,

e uma florzita escondida.

 

Ao voltar das recorridas,

quando o sol vai se esconder,

Sinto aroma de melão,

Madurando de romper.

 

E uma perdiz alça voo,

assustando meu oveiro,

e a lebrezita se escapa,

da festa dos ovelheiros.

 

Do meu cercado da infância,

marcas de tatu peludo,

coração de melancia,

adocicando meu mundo.

 

era o ligeiro o petiço,

na crina eu levei a mão,

e quebrou junto da cerca,

o mais cheiroso melão.

 

Não pisa sobre os baraço,

já me espanta as caturrita,

e traz na frente, nos braços,

a moranga mais bonita.

 

Hoje parece que eu tenho,

Teu arame em meu olhar,

Tento cercar as lembranças,

Do que foi o meu lugar.

 

Tu cercadito, teus frutos,

Me garantiram a existência,

E o teu fio de arame bruto,

Marcou em mim a querência.

AUTOR(ES) DA LETRA:

marco Antunes(Xiru) e Sergio Carvalho pereira
Pelotas, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

Fabiano Bacchieri
Pelotas, RS

FICHA DE PALCO


Xirú Antunes - Recitado

Fabiano Bacchieri - Interpretação

Everson Maré - Violão