LA VEM VINDO O ZÉ DAS LAVRAS

(CHAMARRA)

Sapecada da Canção Nativa

 

LA VEM VINDO O ZÉ DAS LAVRAS

 

 

 

 

 

La vem vindo o Zé das Lavras,

Embalando um baio ruano,

Que troteia despachado,

Mascando um bocal de pano.

 

Na cola um nó de tesoura,

No toso um fleco que abana, 

E um resto de pátria pampa,

Nos bordados da badana.

 

Lá vem vindo o Zé das Lavras,

Chapéu tombado na nuca,

E nos pés um par de esporas,

Qual fossem duas mutucas.

 

Traz pendurado no pulso,

Na velha moda campeira,

Um mango soiteira chata,

Com o cabo de pitangueira.

 

La vem vindo o Zé das Lavras,

Palmeando a rédea ponteada,

Que pelos calos das mãos,

E por tirões foi sovada.

 

Balanceia o pingo ruano,

Ajeita o corpo nas garras,

Quando assopra o baio avança,

Quando “asujeita” ele esbarra.

 

Lá vem vindo o Zé das Lavras,

Ruflando um lenço de seda,

Que o vento sacode as pontas,

Qual dança de labareda.

 

Florescem pelas janelas, 

Sorrisos encabulados,

Quando o redomão passeia,

Pelas “calles” do povoado.

 

Lá vem vindo o Zé das Lavras,

Afirmação deste assunto,

Que a doma valora o potro,

E o homem se amansa junto.

 

Primeiro a força e a coragem,

Depois a experiência, o jeito,

Cada um com os seus caprichos,

E os dois com o mesmo respeito.

 

Lá vem vindo o Zé das Lavras,

Do fundo de algum rincão,

E o bagual que troca orelha,

Quase nem pisa no chão.

 

Luzem as cordas de doma,

Buçal, maneia de trava,

Sobram pilchas de domingo,

Lá se vai o Zé das Lavras.

AUTOR(ES) DA LETRA:

ROGERIO VILLAGRAN
São Gabriel, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

CRISTIAN CAMARGO
Pelotas, RS

FICHA DE PALCO


Cristian Camargo - Guitarron

Pedro Terra - Violão

Aluisio Rockembach - Acordeon

Lucas Eavael - Baixo

Roberto Borges - Violão

Nilton Ferreira - Intérprete