TORDILHA CANHA BRANCA

(CHAMARRA)

Sapecada da Canção Nativa

TORDILHA CANHA BRANCA

 

Me pateou firme no peito, nessa primeira pegada,

Num bolicho beira estrada, nega estribo e mal se ajeita,

Mas depois já vem sujeita, pro vício, mágoa ou festejo

E nunca me nega o beijo, bem ou mal se endireita.

 

Por veiaca e mal costeada, troca de rumo das casas,

Balconera ganha as asas, corcoveando em gana loca,

Esta tordilha pitoca, em cada vez lhe puxo,

Me invade o peito, gaúcho, depois de golpear minha boca.

 

Tordilha...

Tordilha égua maleva que me desbanca,

Veste o feitiço em corpo de canha branca,

- Entrego os pila minguado pra te encilhar –

Tordilha...

Pelos bolicho faz campo e mostra a cena,

E a cada gole golpeio as minhas penas,

Frente aos volteios que a vida me dá.

 

Aperto no osso do peito, como se fosse um munício,

Pois cada um tem seu vício e o meu comparo com a doma,

Enquanto trinam choronas dos passos que cambaleio,

Me sinto mal nos arreio, tendo a tordilha por dona.

 

- Te deixo junto ao balcão - e saco as garra por gosto,

Esfregando “as mão” no rosto, dou - gracias - ao bolicheiro,

A tordilha acha potreiro, nas prateleiras da copa,

Pra ver se alguém se topa degustá-la nos arreio.

AUTOR(ES) DA LETRA:

LEANDRO REGININI GODINHO
Vacaria, RS
RAFAEL DE OLIVEIRA FERREIRA
Vacaria, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

JOSÉ RENATO DAUDT
Porto Alegre, RS