O princípio e o fim

(milonga)

Sapecada da Canção Nativa

O princípio e o fim

 

I

A vida que me deste, terra minha,

é o bem maior que ainda me acompanha.

Deixei pelo caminho o que eu não tinha.

Fiquei com esse teu jeito de campanha.

 

II

De andar longe de ti, pelos caminhos,

poroutras gentes, de idiomas tantos,

me orienta esse teu cheiro de carinho,

dos pastos que perfumam nossos campos.

 

III

E aquela imagem tua não se apaga,

com lágrima, poeira ou cerração:

a casa com varanda, as duas aguas

e o barro da parede do galpão.

 

 

ESTRIBILHO

Querência é porteira de estrada.

Rincão é um pátio, um jardim.

O pago é potreiro e aguada,

E a terra, é o princípio e o fim. 

 

 

 

 

 

 

IV

O tempo é como bruma na canhada,

cobrindo o campo, escondendo o gado.

Eu passo e a vista não divulga nada,

mas sinto cada boi no meu costado.

 

V

E assim, por onde andar, não será longe,

que não há reza pra tanto quebranto.

Do umbu lá das mangueiras eu fiz meu monge.

Do esteio do galpão eu fiz meu santo.

 

VI

Ah, Terra! Essa saudade que me ataca,

Batendo como vento no alecrim.

Eu sei que a nostalgia não me mata,

porque te faz maior dentro de mim.

 

 

ESTRIBILHO

Querência é porteira de estrada.

Rincão é um pátio, um jardim.

O pago é potreiro e aguada,

E a terra é o princípio e o fim. 

 

AUTOR(ES) DA LETRA:

Sergio Carvalho Pereira
Rio Grande, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

Marcelo oliveira de oliveira
Gravataí, RS