RANCHO

(MILONGA)

Sapecada da Serra Catarinensa

Rancho

 

Vida de carancho

Campo pobre, pobre rancho

Fogão triste fumaceia

Deixando um rasto chaminé

E a chuva forte em santa fé

É certo que gotereia

 

O turco morde a cola

Feito um laço que se enrola

Encolhido na tristeza

No chão duro e poeirento

Meu amigo, algum alento

Pra solidão sentada a mesa

 

Que destino haragano!

Bombacha velha, pobre pano

Meu rancho e igual a mim

Preso em rugas, corpo gasto

Liberto em sonhos, campo vasto

Esperando chegar no fim...

 

Cinchando um matito quieto,

Inquieto o pensamento, aperto

a erva verde tão nobre,

Para quem tem pouco luxo

E que vive por ser gaucho

E sobrevive por ser tão pobre

 

As vezes esse meu rancho

Sombrio como mato grande

Que a noite acampa primeiro

Fantasmas da sala inteira

Bailam com o vento na corticeira

Pelas sombras do candeeiro

AUTOR(ES) DA LETRA:

KIKO GOULART
Lages, SC

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

VITOR AMORIM
Lages, SC