Retrato Crioulo

(Chamarrita)

Sapecada da Canção Nativa

RETRATO CRIOULO

 

 

 

 

No contraponto do tento e dum par de “ferro” calçado

Um corcovo chacoalhado estremecia o terreno,

Pegava o rumo do céu e de lá se remontava

E ali “nomás” se topava com a perícia do moreno.

 

Pala encarnado e um sorriso na fachada

E a pataquada sustentando a tradição,

Vinha berrando aquele “lazão tostado”

Vinha meio debochado, bem sentado, o negro “Dão”.

 

Fazia tempo que não se dava uma “tora”

“Criolla” do campo a fora, com força de terra bruta,

Pelego grande, cincha forte, rédea larga.

E um sombreiro, “palmo de aba”, que já fez casa na nuca.

 

Foi quando alguém ergueu a voz de vereda

- Esfrega o pala de seda na cara desse encruado -

E só podia ginetear desta maneira,

Se era índio da fronteira e cria do “Zé Machado”!

 

Era um retrato...  desses de se botá em quadro

Um ginete, um aporreado e um resto lindo de dia,

O sol deitando no espinhaço do horizonte

E um vento manso em reponte embalando as sesmarias.

 

Era valente aquele “lazão tostado”

E não froxava o bailado, por mais que viesse apanhando,

E o negro “Dão”,,,  naquele entono de galo,

Que além de andar a cavalo.... tinha o pai amadrinhando..!

 

 

AUTOR(ES) DA LETRA:

Anomar Danubio Vieira
Terra de Areia, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

Rogério Melo
São Gabriel, RS