Veja as músicas que foram aprovadas

# 16
PEALAÇÃO Ritmo: VANEIRA

PEALAÇÃO

(VANEIRA)

PEALAÇÃO

 

Tirão que lindo, apura o passo, puxa a cola;

Canto de argola, mordiscando nos garrão;

Vira da cara, na descorneada se ajeita

E a baba enfeita riscando rastros no chão.

 

Mangueirão grande, pro pealo bem despachado;

Couro riscado, de laço no tirador;

Eco da queda, da pança da terneirada;

Coqueiro afiada junto a mão do castrador.

 

Cerros de lenha, com fogo avermelha o ferro,

Não tem de berro, que a estância se vê na marca,

Uns assinalam, mas a cola sempre apara,

Tapeia a cara, boi levanta, corre a tarca...

 

Os de bigode, se melam “nas canha doce”,

Sempre o que trouxe se gaba do preparado;

Correndo pealo, “os mais perito” dão o tombo,

Tem sobre lombo, cucharrão e reborquiado.

 

Topo de serra, deixa que o frio, coisa osca,

Cuide das mosca e não desconte a gauchada,

Pra mais adiante mirar a tropa gordacha,

Sobrando graxa nos pastiçal da invernada.

 

A pealação é o ritual pr’este meu povo,

Nem mundo novo, nem bravata faz estouro,

Reunião de amigos, pealadores, bem serranos,

Que todos anos, desmancham cismas de touros.

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

RAFAEL DE OLIVEIRA FERREIRA
Vacaria, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

MAICON FERNANDES DE OLIVEIRA
Lages, SC

FICHA DE PALCO

MARLUS PEREIRA - VIOLÃO E VOCAL
JOÃO GABRIEL ROSA - VIOLÃO
ALEX HAR - PERCUSSÃO E VOCAL
ITA CUNHA - INTÉRPRETE
GABRIEL MACULAN - GAITA
MARCELO HOLMOS - PERCUSSÃO E VOCAL
LEONARDO BORGES - PERCUSSÃO
DANIEL SILVA - CONTABAIXO E VOCAL
# 15
CAMINITO DEL LEÑERO Ritmo: CHIMARRITA

CAMINITO DEL LEÑERO

(CHIMARRITA)

Caminito Del leñero

Cuantas astillas, o tronco entero

Me hás bolcado...

Cuantas veses me hás parado

Por tu propia desicion.

Pero sigo, hacha y hacha

Que hace falta, leña buena pa´l fogón

 

Llora, llora, ruedita de carretilla

Que el sol que brilla...

Duerme junto a mi sombrero

Caminito Del leñero

Tiene su ciência y sus trampas

Dia de sol, duros torrones

Cuando llueve,tranca y tranca

 

Caminito Del leñero

Hasta un nidito de tero

Tuviste cerquita un dia...

Y en cada viaje que hacia

Queria ganarme el cuero

Entretenido al pucho negro

Era un fino en cada vuelo

Dando gritos, (Terú-Terú)

 

Cuantas veses yá pase

Si cuento, me perdere

Ya fueron muchos carreros

Ya lo hice un dia entero

Junto al invierno machazo

Yo era hacha, astilla...astilla

Dele y dele... brazo y brazo

 

Caminito Del leñero

A pura rueda te hicieron

Desde del monte a la cocina

Rebentaste cuantas tiras

De ordinárias chinelas.

-Y dês de lejos parecias

Un rastrito de culebra-

 

 

 

 

 

 

 

 

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

Evair Suarez Gomez
Santana do Livramento, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

Leonel da Silva Gomes
Santana do Livramento, RS

FICHA DE PALCO

JULIANO GOMES - CONTRABAIXO
LEONEL GOMEZ - INTÉRPRETE
ANDRÉ VENTIMIGLA - VIOLÃO
ÉRICO ROCHA - GUITARRON
IZAC MENEZES - VIOLÃO
MARCELO NUNES - ACORDEON
# 14
SAUDADE É FUNDO DE CAMPO Ritmo: TOADA

SAUDADE É FUNDO DE CAMPO

(TOADA)

SAUDADE É FUNDO DE CAMPO

 

Saudade é fundo de campo
Com espinho e japecanga
É água que não se bebe
Numa pocinha da sanga
É primavera com seca
Que não adoça as pitangas...

Saudade é fundo de campo
Cerca de arame caída
Volta maior do campeiro
Buscando uma rês perdida
Tapera ruindo ao tempo
Que desabou, esquecida...

Saudade é fundo de campo
Que só de longe se avista
É quadro num horizonte
Nos traços de algum artista
Se cruza e nunca se chega
Quase se perde de vista!!!


Saudade é fundo de campo
Pros lados do não sei onde !
E a vaca pasta a macega
Onde o terneiro se esconde
E o grito que chama o boi
Somente o vento responde...

Saudade é fundo de campo
Onde a divisa é quem manda
E a avestruz faz o ninho
Por ser tranquila estas bandas
E a solidão toma conta
Por conhecer onde anda !

Saudade é fundo de campo
Apesar da inconstância
É lugar que se vai pouco
Pela razão da distância
Embora a gente nem lembre
Sei que faz parte da estância
.

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

PAULO HENRIQUE TEIXEIRA DE SOUZA
Lavras do Sul, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

CRISTIAN DUARTE CAMARGO
Pelotas, RS

FICHA DE PALCO

ROBERTO BORGES - VIOLÃO
PIRISCA GRECCO - INTÉRPRETE
ALUISIO ROCKEMBACH - ACORDEON
LUCIANO FAGUNDES - BAIXO
FERNANDO LEITZKE - PIANO
PEDRO KALTBACH - VIOLINO
# 13
NA ENCRUZILHADA Ritmo: Xote

NA ENCRUZILHADA

(Xote)

                                  Na     Encruzilhada

                                                                Xote

 

Eu vinha bem estribado

pelegão poncho emalado

Numa noite que era um breu

um palheiro chamuscando

Contra o vento fumegando

Vejam o que me aconteceu.

 

Meu gateado que era um gato

Se deu volta num buraco

E o céu troca pro chão,

Minhas esporas prateada

com as estrelas se alumiava

Junto com o palheiro meu.

 

Meu mundo trocou de ponta,

Pergunto, afinal de conta por que tinha que ser eu?

Tinham soltado um despacho,

Tinha um galo e um chibo guacho

Meu gateado se perdeu.

 

Uma champanhe importada

Pipoca doce e salgada

E velas de toda cor

Um fogaréu levantando

Meu poncho véio incendiando

Gritei por nosso Senhor .

 

Eu vinha bem estribado

Carregando meu pecado

naquela noite gelada,

E naquela encruzilhada

Depois de trocar de ponta

Foi aí que me dei conta,

Que sem Deus eu não sou nada.

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

Volmir Coelho dos Santos
Santana do Livramento, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

Volmir Coelho dos Santos
Santana do Livramento, RS

FICHA DE PALCO

VOLMIR COELHO - INTERPRETE
MARCELO BASSALDUA - GAITA CROMÁTICA
MARCELO HOLMOS - CONTRABAIXO E VOCAL
VOLMIR COELHO - VIOLÃO BASE
# 12
VENENO Ritmo: ZAMBA

VENENO

(ZAMBA)

Veneno

 

Eu te levei adormecida junto ao peito,

Banhando as horas do meu mundo tão pequeno...

Cuidei teu sono, quando o sol amanhecia

E a poesia evaporava do sereno...

 

Eu soube apenas o teu nome e teu sorriso

Não mais preciso conhecer tuas verdades...

Roubei um beijo, ao cuidar teu sono lindo,

E o teu veneno foi maior que a claridade...

 

Saber do mundo é não temer a madrugada!

Serpente antiga - feiticeira dos caminhos -

Eu te levei adormecida junto ao corpo

Onde teu sono era veneno e não carinho!

 

Onde andarás? não mais pergunto ao meu silêncio.

Adormeceras noutro corpo envenenado.

Cuidar teu sono é como estar frente a um mistério, madrugada

Te ver sorrindo é como estar aprisionado!

 

Guarda o teu beijo para alguém que te mereça.

Se é que alguém, merece ter o que ofereces...

Um dia o sol vai me livrar do teu veneno

Igual sereno evaporar quando amanhece.

 

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

lisandro amaral brião
Bagé, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

roberto luzardo
Piratini, RS

FICHA DE PALCO

GUSTAVO OLIVEIRA - VIOLÃO
LISANDRO AMARAL - intérprete
MIGUEL TEJERA - BAIXO ACUSTICO
FERNANDOLEITZKE - PIANO
# 11
PROSA DE GALPÃO Ritmo: MILONGA

PROSA DE GALPÃO

(MILONGA)

PROSA DE GALPÃO

 

 

 

Tem de tudo um pouco nessa prosa de galpão...

A cordiona botonera, no costado um violão...

Um trago de canha pra espantar as mágoas e a solidão

Cenário campeiro, roda de mate, cuia de mão em mão...

 

Tem de tudo um pouco nessa prosa de galpão

Assovios nas frinchas, inverno que chega pra congelar a emoção...

Churrasquito gordo, que pinga graxa e levanta a fumaça junto ao tição...

E uma saudade estradeira atiçando as brasas do fogo de chão!

 

É o Sul cantando e a gente proseando dessa maneira,

É a vida que segue e o sentimento não tem fronteira.

Meu compadre não te assusta, essa tua tristeza já vai passar...

Vai buscando o que “te gusta” nas coisas que a estrada vem te entregar.

 

Prosa de galpão, charla ao fim de tarde, despretensiosa conversa...

O tempo se amansa, a vida descansa e a alma fica dispersa,

A quietude chega pra ouvir o sonho que não costuma ter pressa,

Prosa de galpão, abre o coração e só fala o que te interessa!

 

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

ERLON PÉRICLES
Porto Alegre, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

ERLON PÉRICLES
Porto Alegre, RS

FICHA DE PALCO

PIRISCA GRECCO - INTÉRPRETE
ÉRLON PÉRICLES - VIOLÃO
TIAGO QUADROS - GAITA BOTONEIRA
GUILHERME CASTILHOS - VIOLÃO
RICARDO MARTINS - VIOLÃO
RICARDO TEJERA - BAIXO
# 10
NOS CAMPOS DO AMARICÁ Ritmo: CHAMAMÉ

NOS CAMPOS DO AMARICÁ

(CHAMAMÉ)

NOS CAMPOS DO AMARICÁ

 

 

Já não se avista a querência nos campos do amaricá

A sombra cobriu os campos das invernadas de lá

E um negro de riso franco chapéu torto e bichará

Encilhou bem um tordilho, sabe Deus onde andará?

 

Já não se avista o serviço nos campos do amaricá

A cavalhada por mansa foi fácil de “embuçalá”

E o gado rodeio grande que era lindo de “avistá”

Cruzou o arame de novo, bandeou pro lado de cá

 

Já não se avista existência nos campos do amaricá

Onde uma herança de muitos não teve ninguém pra “herdá”

E a floresta tomou conta deixando bem como está

Sombra, mato, solidão, tapera e caraguatá

 

Já não se avista horizonte nos campos do amaricá

E a história de tanta gente aos poucos se acabará

Nunca mais a peonada fazendo um “charachachá”

Vai trazer gado matreiro das grotas do camboatá

 

Já não se avista um recuerdo nos campos do amaricá

Quem fecha os olhos pra dentro somente assim lembrará

Das madrugadas clareando no bico de um batará

Pois a saudade machuca com espinhos de sucará

 

Já não se avista poesia nos campos do amaricá

Pra sombra tem pouco verso e quase rima não há

Só resta uma nostalgia no canto de algum sabiá

Junto das sangas correndo pros rumos do Deus dará

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

GUJO TEIXEIRA / VALÉRIO TEIXEIRA
Lavras do Sul, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

CRISTIAN DUARTE CAMARGO
Pelotas, RS

FICHA DE PALCO

ROBERTO BORGES - VIOLÃO
JOCA MARTINS - INTÉRPRETE
ROGÉRIO MELLO - INTÉRPRETE
CRISTIAN CAMARGO - GUITARRON
PEDRO TERRA - BAIXO
ALUISIO ROCKEMBACH - ACORDEON
LUCIANO FAGUNDES - VIOLÃO AÇO
# 9
RANCHO DE BARRO Ritmo: Canção

RANCHO DE BARRO

(Canção)

                                                     RANCHO DE BARRO.

 

Abriga muito este rancho,

Na sua proposta humilde,

De ser alma em vez de corpo,

Sem marcas e cicatrizes.

 

O terreiro  caprichoso,

Oferta as flores mais lindas,

De um jasmineiro florido,

Pros cabelos da chinita.

 

Ah! Meu rancho silencioso,

Nestas manhãs de bom dia,

Com toalhas branquicentas,

No quarador da cacimba.

 

Quem me dera, fosse eterno,

Ranchito de palha e barro,

Pra guardar sempre os costumes,

Da gente deste meu pago.

 

Cinamomo sombreado,

Onde arreios antigos,

Sesteiam nas veraneiras,

Destes verões mal dormidos.

 

Mais pra um lado,um galpãozito,

Do mesmo barro do rancho,

Com ganchos de pitangueira,

E um varal pra um charque gordo.

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

Xiru Antunes
Pelotas, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

FICHA DE PALCO

QUARTETO CORAÇÃO DE POTRO - INTÉRPRETE
MAICON OLIVEIRA - GUITARRA E VOZ
KIKO GOULART - GUITARRA E VOZ
RICARDO BERGHA - GUITARRON E VOZ
JOÃO PAULO DECKERT - BANDONEON
VITOR AMORIM - GUITARRA E VOZ
JUAN LOSANO CARRERA - QUENNA
# 8
ENFRENADA Ritmo: MILONGA

ENFRENADA

(MILONGA)

ENFRENADA

 

Trago de tiro esta milonga, meu patrício,

Só pelo vício de topar outra parada.

Vem no cabresto da bordona, em trote arisco,

Erguendo cisco quando se assombra da estrada.

 

Redomoniada, guarda o capucho da crina

Na velha sina de mostrar que é boca atada

Pra um, de cruzada, não pensar que monta em mansa

E errando a dança me extraviar a patacoada.

 

Sem demora nos meus bastos, milonguita,

Te acomodo bem do jeito que me agrada

Despachada e entre as rédeas recolhida

Dando vida pra esses versos, enfrenada.

 

Só mais um pouco e saco as garras da azulega,

Aperto as xergas no teu lombo embodocado,

De mano a mano vamos ver quem é mais quebra,

Depois que a pedra te judiar mais um bocado.

 

De queixo atado, largo de cabeça solta

Na estampa potra de espantar bagual ligeiro

Por guitarreiro tenho a confiança nas cordas

E sei que sobra enforquilhado um milongueiro. 

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

RICARDO MARTINS
Santana do Livramento, RS

FICHA DE PALCO

A - PERCUSSÃO
RICARDO MARTINS - INTÉRPRETE
MARCELO NUNES - GAITA BOTNEIRA
ÉRLON PERICLES - CONTRABAIXO
RICARDO MARTINS - VIOLÃO
# 7
ENTRE AS PEDRAS DO MEU CANTO Ritmo: milonga

ENTRE AS PEDRAS DO MEU CANTO

(milonga)

Entre as pedras do meu canto

 

Entre as pedras do meu canto... hei de encontrar serenada

Vestida de madrugada, tenho certeza que inteira,

Uma florzita trigueira, retovada de quebranto,

Toda enredada de encanto e perfume de laranjeira

 

Entre as pedras do meu canto... canto bruto, sim senhor,

Tenho o espaço acolhedor pra eternizar primaveras.

Ergui no Passo das Eras o rancho mais protegido

Em cada verso, um abrigo, pra flor mais pura da terra!

 

E nem o vento insistente que já tocou o infinito

Há de alcançar, acredito, o teu pendão delicado

Pois bem sei que em teu costado haverá guarida e tanto

Entre as pedras do meu canto, flor do amor, é que eu te guardo.

 

Embora as pilchas surradas pela vivência campeira

Bem sabe a lua viajeira dos meus segredos dormidos,

Do que carrego comigo e não entrego a ninguém

Senão àquela que vem pra repartir meus sentidos...

 

Se trago a estampa fechada, embrutecida de campo...  

Arquitetei o meu canto, pedra por pedra, um fortim

Esperançando que ao fim germines junto às guitarras

Se me faltarem palavras.... que os versos falem por mim!

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

MATHEUS NEVES DA FONTOURA
Porto Alegre, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

VITOR AMORIM
Lages, SC

FICHA DE PALCO

JOÃO GABRIEL ROSA - VIOLÃO
GUSTAVO TEIXEIRA - INTÉRPRETE E VIOLÃO
QUINTO OLIVEIRA - VIOLÃO
GUSTAVO PADILHA - VIOLÃO
# 6
CANTILENA Ritmo: MILONGA

CANTILENA

(MILONGA)

CANTILENA

 

Dou de rédea e frouxo a boca

- A guitarra e um poema -

Dos rincões da minha saudade

No tranquear da cantilena.

 

Cantilena me remete

Ao Rincão dos Malacara,

Onde eu me ia pro campo

Assoviando sobre as garra.

 

Cantilena, quantas vezes,

Sussurrei junto à cancela,

Serenateando inibido,

De fronte ao rancho dela.

 

Da sanguita que eu vadeava,

Num capão de pitangueira,

Tinha o canto, cantilena,

De um sabiá laranjeira.

 

Cantilena... Cantilena...

A guitarra e um poema.

 

Do regresso, uma saudade,

Quando me vou, mas eu fico,

Cada verso, cantilena,

Me sinto o pobre mais rico.

 

Cantilena me remete,

Ao Rincão da Esperança,

Das melodias das tropas,

Que empurrei quando criança.

 

Cantilena traz de volta,

Meu dialeto, diário,

De melodiar encilhando,

De prosear com meus cavalos.

 

Dou de rédea e frouxo a boca

- A guitarra e um poema -

Dos rincões da minha saudade

No tranquear da cantilena.

 

Cantilena... Cantilena...

A guitarra e um poema.

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

RAFAEL DE OLIVEIRA FERREIRA
Vacaria, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

KIKO GOULART
Lages, SC

FICHA DE PALCO

PEDRO KALTBACH - VIOLINO
VITOR AMORIM - VIOLÃO E VOZ
MAICON OLIVEIRA - VIOLÃO E VOZ
RICARDO BERGHA - GUITARRON E VOZ
QUARTETO CORAÇÃO DE POTRO - INTÉRPRETE
KIKO GOULART - VIOLÃO E VOZ
JOÃO PAULO DECKERT - BANDONEON
# 5
MALICIOSA Ritmo: RASGUIDO

MALICIOSA

(RASGUIDO)

Maliciosa

 

A lua por baixo, do manto da noite,

Clareia um açoite, que assim se abaguala,

Uma gaita chora, chamando pra farra,

E um rasguido esbarra, no meio da sala.

 

Candeeiro de sebo, que muy pouco alumbra,

Aonde a penumbra, requinta o recinto...

No balcão da copa, altar dessa igreja,

A vida me beija, por um vinho tinto.

 

Um rancho de tábua, o piso batido,

E o ar encardido de poeira e fumaça,

Mesclado a silhueta, dum florão de china,

Que intriga e fascina, por onde ela passa.

 

Com jeito de santa, deseja o pecado,

E atende o chamado, da gaita que chora,

Parece inocente, por dentro dum riso,

Porém, sem juízo, dos olhos, pra fora.

 

A flor do cabelo, colhida no mato,

Moldura o retrato, que troca de cena,

Quando a cordiona, faz mais uma volta,

E o santo da escolta, te perde, morena.

 

Por onde vagueia? a mim me pergunto,

Querendo andar junto, com as tuas carícias,

Pra ver se descubro, quem sabe um resquício,

Do que é feitiço, na tua malícia.

 

A gaita não para, o baile encordoa,

E o que não perdoa, não teme e não deve,

A noite contempla e a lua conforta,

Pois em linhas tortas é que Deus escreve.

 

Mas este rasguido, que agora me topa,

E o vinha da copa, molhando a garganta,

Me mostram que vida, é china encantada,

Que às vezes se agrada, ser diaba e ser santa.

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

ROGÉRIO ANDRADE VIJAGRAN
Lages, SC

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

ROGÉRIO ANDRADE VIJAGRAN
São Gabriel, RS

FICHA DE PALCO

MAURO SILVA - GAITA
JOÃO MARCOS - BAIXO
DANER MARINHO - INTÉRPRETE
BRUNO DA ROSA TEIXEIRA - GUITARRON
RAFAEL ALVES - VIOLÃO SOLO
# 4
O SILENCIO E A CAMPEREADA Ritmo: MILONGA

O SILENCIO E A CAMPEREADA

(MILONGA)

O silêncio e a campereada

 

 Recorro campo sozinho,

 nem “carculo” a quanto tempo.

 Quando em quando um assoviozinho

 se vai perdido no vento.

 

 Quietude nestas jornadas

 e a alma não se machuca.

 As vozes das invernadas,

 sem silêncio, não se escuta.

 

 O arroio canta pra pedra,

 pra noite o grilo nochero,

 o arado fala com a verga

 e a estrela com o caborteiro.

 

 Campo tem voz de porteira,

 de retoço da manada,

 tem vento que chama poeira

 e o mormaço, a manga d’agua.

 

 Chuva no poço da sanga,

 rufar de pala de seda.

 Canta o sabiá pra pitanga

 e o angico pra labareda.

 

 É lindo o ranger do arreio

 no escurão da noite cega

 e o vento sul de floreios

 no encordoado das macegas.

 

 Quieto, cruzando o potreiro,

 quando a manhã se perfila,

 passo escutando o barreiro

 saudando um rancho de argila.

 

 Guabiju!... Ariticum!...

 Range o rodado e se foi...

 A voz do homem comum

 é o tempo chamando o boi.

 

 Tropel em várzea encharcada,

 mareta beijando a taipa.

 Na aragem da madrugada

 cruza um sussurro de gaita.

 

 Com esse assovio antigo

 e os cascos sonando o pasto,

 meu mundo fala comigo

 pelos fundões donde eu passo.

 

 Não pense que eu sou sozinho...

 Que são tristes os dias meus...

 Ouço juras e carinhos

 desses campos de meu Deus.

 

 Recorro os campos solito,

 nem “carculo” há quanto tempo.

 Quando em quando um assoviozito

 Se vai perdido no vento.

 

 Quietude nestas jornadas

 e a alma não se machuca.

 As vozes das invernadas,

 Sem silêncio, não se escuta.

 

 

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

Sergio Carvalho Pereira
Rio Grande, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

André Teixeira
São Gabriel, RS
Ricardo Comassetto
São Luiz Gonzaga, RS

FICHA DE PALCO

LUIZ MARENCO - INTÉRPRETE
MARCELO CAMINHA - VIOLÃO
ANDRE TEIXEIRA - GUITARRON
RICARDO COMASSÊTTO - GAITA DE 8 BAIXOS
# 3
LÁ d ONDE EU VENHO Ritmo: CHAMAMÉ

LÁ d ONDE EU VENHO

(CHAMAMÉ)

Lá d´onde eu venho

                                                               (chamamé)

 

Eu venho d´aonde o vento assovia na crina dos potros

que correm libertos nas imensidões dos banhadais...

E os domadores são homens que fazem tropilhas pra os outros,

que aos gritos de forma, empeçam a lida palmeando buçais...

 

Eu venho d´aonde o cantar das esporas ainda ressona

no embalo do trote, que leva o campeiro pra o seu compromisso,

e o rangido do basto é um sentimento apertando a carona,

sabendo que a vida, do peão de estância, se alimenta disso.

 

De lá de onde eu venho, eu trago a certeza que a gente é capaz

de parar o tempo por algum instante e ver de olhos fechados...

Podendo sentir que o campo é um regalo que tão bem nos faz,

escutando ao longe, múrmuros de sangas e berro de gado.

 

Eu venho d´aonde o aperto da cincha garante o sustento

de quem alça a perna, firmando nos loros a obrigação

de escorar o tranco, qual um laço forte que em cada tento,

forceja parelho, unindo suas forças pra aguentá o tirão...

 

Eu venho d´aonde os calos das mãos e as rugas do rosto

são marca e sinal, daqueles que enfrentam mormaços e geadas...

Com pilchas e garras judiadas da lida que é feita com gosto,

quando assim lhe toca, recorrer o fundo de uma invernada.

 

Eu venho d´aonde o mensual é um soldado disposto ao combate,

servidor da pátria, que mete o cavalo junto do fiador...

E encerra o dia com o pingo lavado e roda de mate,

recontando os feitos de um rodeio grande n´algum parador.

 

De lá de onde eu venho, eu trago o aroma dos galpões de encilha...

Estalar das brasas, cambona chiando e o fogo graúdo...

Onde o mundo grande se pára pequeno num rádio de pilha,

Pra amansar a vida, quando alguém de longe nos manda um saludo.

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

Rogério Villagran
São Gabriel, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

André Teixeira
São Gabriel, RS

FICHA DE PALCO

MARCELO CAMINHA - VIOLÃO E VOCAL
PEDRO TERRA - VIOLÃO E VOCAL
RICARDO COMASSETTO - GAITA DE 8 BAIXOS
ANDRÉ TEIXEIRA - INTÉRPRETE
JOÃO MARCOS -NEGRINHO MARTINS - BAIXO
# 2
MEU REDOMÃO COLORADO Ritmo: MILONGÃO

MEU REDOMÃO COLORADO

(MILONGÃO)

MEU REDOMÃO COLORADO

 

Eu larguei meu “quatro tentos”

Nas aspas de uma gaviona

Com quem não tem argumento

Somente o laço funciona!

Era uma vaca zebua,

Bisneta de um touro alçado;

Tive que abraçar nas puas

Meu redomão colorado!

 

Quase não chego na bruxa

Que era cruzada com o vento,

Quem é da lida gaúcha

Sabe escolher o momento!

Quando senti o mundo escasso,

Abri meu pingo na hora

E enderecei o meu laço

Pra ela não ir embora!

 

Meu potro vinha judiado

Da doma e do tempo feio,

Andava meio delgado,

Mal apertando os “arreio”...

Nessa corrida forçada,

Quase que se desencilha;

No que a vaca foi laçada

A cincha foi pras virilhas!

 

O potro escondeu a cara,

A vaca veio chegando

E eu tive a impressão bem clara

De ver o mundo acabando!

Até parece um castigo

Mas vento ninguém ataca

E eu vi meu couro a perigo

Nas aspas daquela vaca!

 

Saltei de cima ligeiro

Pensando na situação,

Pra não largar meu parceiro

Pulei com a rédea na mão!

Meu flete tem seus defeitos,

Mas não quero descuidá-lo...

Por certo só um mau sujeito

Não preza o próprio cavalo!

 

Cortei o laço em seguida,

A vaca se foi embora;

Pra sempre ficou perdida

Uma roseta de espora!

E, quando, a lua acendê-la

Refletindo um pirilampo,

Contará para as estrelas

Mais esta cena de campo!

 

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

Rodrigo Bauer
São Borja, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

Jari Terres
Pelotas, RS

FICHA DE PALCO

JOCA MARTINS - INTÉRPRETE
MANO JUNIOR - ACORDEON
JÚNIOR PEREIRA - VIOLÃO SOLO
CARLOS DE CESARO - BAIXO
JARI TERRES - VIOLÃO BASE E VOCAL
GUSTAVO OLIVEIRA - VIOLÃO SOLO
MARCELINHO CAMINHA - PERCUSSÃO
# 1
POTRILHO, POTRO E PINGAÇO Ritmo: Chamarrita

POTRILHO, POTRO E PINGAÇO

(Chamarrita)

Uma clinera de algodão

Desta minha pelagem ruana

Placenta, areia e grama

Depois, corpo cambaleando...

De a pouco fui me firmando,

Cabeceando um ubre cheio,

Pra depois ser pataleio

E outras horas retoçando.

 

Cortei o vento com a cara

Correteando no varzedo,

Corri penca com a cadente

Pra saber o mais ligeiro...

Quando vi, não era potrilho,

Era potro de ano e meio

E percebi que andava perto

O peso bruto do arreio.

 

A corda juntou meus cascos

Entre a poeira da mangueira

E minha alma matreira

Se atorou num tombo só...

Aqui nestes cafundós

É bocal, garra e chilenas

Não se sabe o que é ter pena

Não se sabe o que é ter dó.

 

Potrilho, potro e pingaço

De primeira cambaleando...

Depois me fui correteando,

Com o vento enredei a clinera

Senti a fúria das chilenas

Que me charquearam a puaço

Nesta luta braço a braço

Ressonava a cantilena.

 

Se laçam, fico cinchando

Se frouxam a rédea, troteio!

Se gritam um “Êra boi”

Ando junto com o ponteiro!

Se cruzam a talha pra conta

Sou eu que conto primeiro!

E atado frente ao bolicho

Relincho e sacudo arreio!

AUTOR(ES) DA LETRA DE:

evair suarez gomez
Santana do Livramento, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA DE:

Juliano marcio gomes avila
Santana do Livramento, RS

FICHA DE PALCO

LUIZ GUSTAVO PADILHA - VIOLÃO E VOCAL
QUINTO OLIVEIRA - VIOLÃO E VOCAL
ITA CUNHA - INTERPRETE
LEONEL GOMEZ - CORDEONA 3 HILERAS
JULIANO GOMES - BAIXO E VOCAL