Tarde de inverno

(Rasguido)

Sapecada da Canção Nativa

TARDE DE INVERNO

 

 

Tarde cinzenta de inverno

Surrada a vento minuano,

Do peãozito, mal de pano,

Encarangado de frio.

Do gado, o campo vazio,

Se abrigando lá no mato.

Do vento fresteando a casa

E com as faíscas de uma brasa

Queimando os pêlos de um gato.

 

Tarde turva que anuncia

Que o temporal se aproxima,

Fechando os trincos de cima

E atravessando as tramelas.

Com o charque de ovelha velha

Pingando igual a uma garoa.

Com a chuva forte e guasqueada

Abrindo os valos da estrada

E enchendo o açude e as lagoas.

 

Outra vez chia a cambona

Com a labareda altaneira

Cuspindo do oco da aroeira

Que é um pai-de-fogo sem cerno.

E a tarde fria de inverno

Lhe dá um langor passageiro.

Brincando com a hora mansa

Do atavismo que descansa

Na alma do peão caseiro.

 

Lá fora o vento escramuça

Repontando as nuvens pretas

E a brincar com as folhas secas

Pelos terreiros da estância.

Um relâmpago, à distância,

Risca o céu de alto a baixo.

E um sombreiro de abas largas

Tapa os olhos com a descarga,

Firmando no barbicacho.

 

Parece até que São Pedro

Lá no céu anda borracho

Bodoqueando raio-guaxo

Nas cordilheiras de pedra.

E no velho umbu que se quebra

Com o outro mandado mais forte.

No céu negro das tormentas

Rolos de nuvens cinzentas

Fogem depressa pra o Norte.

AUTOR(ES) DA LETRA:

Edilberto Teixeira
São Gabriel, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

André Teixeira
São Gabriel, RS