ESPELHO DE MIM

(MILONGA)

Sapecada da Canção Nativa

ESPELHO DE MIM

                                 

Eu ONTEM lembrei de ti:

passado, velho grisalho,

enquanto tenteava a sorte

nas manilhas de um baralho.

Me vi nas crinas de um mouro

pelos salinos das geadas,

fui campo estendendo um trote

e agora sou das calçadas.

 

Inda antes meu amor

jurou sonhos por alianças,

agora vive em milongas

nos longes de uma lembrança.

Olhei fotos, quis a vida

que outro postou ao léu,

eu feliz não me entendia

sempre buscando mais céu.

 

Refrão:

“Há munto” tempo, nas horas 

esporiei os meus motivos.

Olhe bem cá nos meus olhos

meus escramuços de risos,

minha vida é filme antigo

mescla inferno e paraíso.

 

Se antes eu fui paisagem

de a cavalo ou num trator,

bolqueando terra e veiáco

nas vocações de interior.

Vivo cantando ao meu povo

por mates que nem cevei,

num banco de rodoviária

sou o sumo do que herdei.

 

Mas HOJE, por andarengo

mesmo no tranco mais duro,

minha pequena paisagem

só sabe ser  do futuro.

Nossas histórias iguais

fazem planos no rincão,

cada presente é um regalo

quando adota um coração.

AUTOR(ES) DA LETRA:

MARCIO NUNES CORREA
Pelotas, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

RAINERI SPOHR
Santa Maria, RS

FICHA DE PALCO


Texo Cabral - Flauta

Gustavo de Oliveira Otesbelgue - Violão

Matheus Alves - Guitarron

Raineri Spohr - Intérprete

Paulinho Goulart - Piano