DE PERTO

(MILONGA)

Sapecada da Canção Nativa

DE PERTO

 

De perto a brasa que aquenta

Sapeca os “pêlo” da mão

E a casca lembra que o cerne

Sustenta o fogo de chão...

Junto aos olhos do dono

Tropas agarram estado

Entre as orelhas do pingo

A lida é sempre um achado!

 

De perto a cerca de arame

Que denuncia os farpados

Exalta o alambrador

Nos piques bem atilhados

Igual ao sovéu torcido

Que é garantia pra tudo

Tem os ramais desparelhos

E os tentos bem “cabeludos"!

 

De perto as coisas são outras

Tanto pra mais ou pra menos

Lugar onde a alma alinha

Qualquer conceito de bueno...

De perto a vida real

Não é bem o que se mostra

Se lê o rio que dá vau

Pelo barulho da costa...

 

De perto os olhos da linda

Encantam mais que na tela

Me agrada vê-los fechados

Se a boca abre janelas...

Tal os retratos da lua

Pouco traduzem a cena

Eu tento, às vezes, em vão

Pintá-los nalgum poema!

 

Já sabe quem corta o rastro

Que a bandeira colorada

É uma questão de distância

Pra precisão de uma armada...

O mundo visto de fora

Pode apontar o que é certo

A vista sempre se gasta

Seja pra longe ou pra perto!

AUTOR(ES) DA LETRA:

EDUARDO RODRIGUES MUNOZ
Pelotas, RS
JOSÉ CARLOS BATISTA DE DEUS
Piratini, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

RICARDO ROSA
Piratini, RS