AO MEU VIOLÃO

(Milonga)

Sapecada da Serra Catarinensa

Uma réstia desgarrou-se
do sol da manhã mais bela!
Pela fresta da janela
pousou em meu violão,
como chamando atenção
para aquele que eu esquecia:
O motivo e a poesia
na parede do galpão!
 
Meu parceiro!! Quanto tempo!!
Perdoa se te esqueci!
Eu andava por aí,
sem rumo perdido...a esmo!
Talvez buscando eu mesmo
ou quem sabe, um grande amor!
e só você, meu amigo,
fostes o fiel testigo,
juntos no riso e na dor
 
Quantas lembranças revivo!
Amores...desilusões,
somar luas em galpões,
com cantigas e porfias!
Ter por noites e por dias,
silêncios para meu canto,
para dedilhar encantos
nestas cordas de magia!
 
Mais uma vez, me perdoa
neste novo caminhar!
Quero cantar e cantar
com você no meu costado!
Talvez, eu encabulado
na busca do reviver,
com teus acordes comigo,
nesses retratos antigos
que me farão renascer!

 

Motivação

Ao Meu Violão não foi escrita nem para o violão do Gilson, tampouco ao do Arthur, mas ao violão de um grande amigo, Marcelo Donato. Conversando com o Gilson, o Marcelo contava de um tempo em que, pelos caminhos da vida, pendurou o instrumento numa parede da casa e ficou sem tocar durante anos. Toda manhã, o sol entrava por uma fresta da janela e fazia luzir sua madeira, como chamando atenção daquele que o esquecia, como sugerindo um reencontro. O poema se eterniza como uma lembrança de que, mesmo afastados, os dedos e as cordas, em algum momento, hão de se juntar.

AUTOR(ES) DA LETRA:

Gilson Aguiar
Porto Belo, SC

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

Arthur Boscato
Florianópolis, SC

FICHA DE PALCO


David Toledo - Violão 7 cordas

Paula Martins - Baixo acústico

Rafael Puerta - Violão aço

Arthur Boscato - Intérprete