N´ALGUM FIADOR DE RODEIO

(MILONGA)

Sapecada da Canção Nativa

Chapéuzito retovado,

Tapeadito, contra o vento,

Arreio mal apertado,

Laço sovado, nos tentos,

 

Reponta o gado, o campeiro,

Balanceando no fiador,

Floreando o baio “estreleiro”,

E abanando o tirador.

 

Firmando as rédeas trançadas,

Dá um beliscão com as esporas,

Grita, chama a cachorrada,

E abre pra o lado de fora...

 

Cuida um terneiro perdido,

Que da mãe, berra apartado,

Sabe de qual, foi parido,

Não vai deixar extraviado.

 

As “veis” se “alembra” da linda,

Que lhe espera no ranchinho,

E logo que a lida finda,

Volta cheio de carinho.

 

Imagina o piá mais novo,

Fazendo arte e alvoroço,

Longe das baldas do “povo”,

Tropeando gado de osso.

 

Fazendo o outro costado,

Don Juca, num redomão,

Ladeia o corpo pra um lado,

Dá uma ajeitada com a mão.

 

É nestas horas que o potro,

Aceita o tirão que ensina,

E o “domero” amansa outro,

No serviço que arrocina.

 

Assim os ciclos se alinham,

E o mundo do  mensual,

Segue os rumos que encaminham,

As precisões dum rural.

 

Essa é a gente que sustenta,

Com esforço e pouco luxo,

A condição que alimenta,

O valor de ser gaúcho.

 

Porque aqui, nestas constâncias,

Deste meu pago sulino,

Sempre haverá um peão de estância,

Cumprindo com o seu destino.

 

Chapéu tapeado na fronte,

Levando o pingo no freio,

E abrindo o peito em reponte,

N´algum fiador de rodeio.

 

 

AUTOR(ES) DA LETRA:

rogerio villagran
Lages, SC

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

kiko goulart
Lages, SC

FICHA DE PALCO


Vitor Amorim - Guitarra e Voz

Kiko Goulart - Guitarra e Voz

Maicon Granja - Guitarra e Voz

Patrick Antunes - Guitarra e Voz