OS ANTIGOS

(Milonga)

Sapecada da Canção Nativa

OS ANTIGOS

 

As cacimbas das taperas…

O passo que foi atalho…

Cerca de pedra caída…

Gente e datas esquecidas

que o rincão só reencontra

se algum dos antigos conta

a história da própria vida.

 

Pois esta minha querência

(com campos de muita pedra

que, dizem, não valem tanto)

tem causos…la mierda!...e quantos!

sobre a quietude dos pastos.

E a gente campeando o rastro

pode encontrar seus encantos.

 

Pergunte à Dona Mulata

-que já passou dos oitenta-

seus tempos de gauchita.

La pucha…história bonita!

donde hay segredo e tristeza…

Co'essa áspera beleza

das que ficaram solitas.

 

E o seu Adão Faca Larga?

Parece estar vendo o rancho

onde há um sinal de tapera.

Aponta e explica onde era

mangueira, forno, chiqueiro,

a estradita do pipeiro

e o cercado -"flor de terra!"

 

E o Norico? Que ainda ri!

(E ocupa os vãos do sorriso

com o que tem de alegria)

Lembrando da manhã fria,

que tinha sacado um couro.

Mas carregar no seu mouro…

Veiaco! Quem poderia!

 

No Campo do Baio Manco,

ali cruzava o caminho

no tempo dos carreteiros:

"Cada peludo, parceiro!"

recorda o velho Serápio,

que nunca tirou dos lábios

nomes de bois companheiros.

 

E o silêncio dos antigos?

É um silêncio de rincão

que a gente passa ao tranquinho.

E sangas…matos…e ninhos…

na alma estão murmurando

e a gente sente, cruzando,

que não andamos sozinhos.

AUTOR(ES) DA LETRA:

FRANCISCO BRASIL
Bagé, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

KIKO GOULART
Lages, SC

FICHA DE PALCO


Pedro Kaltbach - Violino

Riccieli Paludo - Violoncello

Adriano Silva Alves - Recitado

Kiko Goulart - Guitarra e Voz

Vitor Amorim - Guitarra

Maicon Oliveira - Guitarron

Patrick Antunes - Guitarra e Voz

Tiago Ribas - Violino