ERA UMA VEZ

(Milonga)

Sapecada da Serra Catarinensa

ERA UM GALPÃO, CORREDOR

POTREIRO, AÇUDE E INVERNADA

BERROS DE OVELHA E DE GADO

RELINCHOS DE UMA GATEADA

 

VEIO DA VIDA DE TANTOS

PELO TRABALHO E A RAZÃO

NOS OLHOS, LEVARAM O CAMPO

ONDE FICOU O CORAÇÃO

 

HÁ MUITO TEMPO APRENDI

ENCILHANDO A ÉGUA MANSA

O CHÃO ONDE EU CAMPEREAVA

ERA CHAMADO DE HERANÇA

 

COMO SE FOSSE UMA ESCOLA

QUE HAVIA ALI CERTOS DIAS

ONDE EU PARAVA EM SILÊNCIO

PRA OUVIR O QUE SE DIZIA

 

MESMO PERTO DO POVOADO

ERA CAMPO E ASSIM SERÁ

CAMINHO PRA OS MEUS RESSÁBIOS

SUSTENTO DE ALGUÉM DE LÁ

 

DEPOIS DE TANTOS JANEIROS,

INVERNOS E REBROTAR

VIROU UM QUADRO PINTADO

NA PAREDE DO LUGAR

 

POIS O TEMPO ERA MUDADO

NÃO SERVIA ESTAR VAZIO

SEM MAIS O BERRO DO GADO

CALOU-SE O CANTO DO RIO

 

O QUE ERA MATO FICOU

POR QUANTO TEMPO, NÃO SEI

SE MANDA MAIS O DINHEIRO,

AS VEZES, QUE A PRÓPRIA LEI

 

POR CONTA DA EVOLUÇÃO

SE FOI O LUGAR DOS MEUS

QUE O LEVARAM NOS OLHOS

UM POUCO ANTES DO ADEUS

 

ERA UM GALPÃO, CORREDOR

POTREIRO, AÇUDE E INVERNADA

HOJE SÃO VOZES DE OUTROS

QUE TEM ALI SUA MORADA

AUTOR(ES) DA LETRA:

Michel Martins
Lages, SC

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

Michel Martins
Lages, SC