O PÁTIO DA MINHA SAUDADE

(Chamamé )

Sapecada da Serra Catarinensa

O pátio da minha saudade

 

‘- O rincão vivo da minha saudade

Tinha um ranchito humilde

Onde as riquezas residem

Cercado de bons sentimentos

Cada palavra, um ensinamento

Do pai na sua lida de peão

A mãe nas lidas de fazer o pão

Nos deixam saudades de cada momento...’

 

O pátio lindo da minha infância

está erguido apenas na memória

Aquele campito já virou história

Uma tapera se quedou, tombada

Trincheiras de pedras, agora amontoadas

Tristes esqueletos de costaneira

Tem tarros juntando poeira

E a cancela da frente, quebrada.

 

“Aquele rincão foi o meu mundo

O pátio do fundo – a maior das estâncias

Eu tinha gadaria, léguas de sesmaria

De osso era todo o gado branco

eu tinha tropilha que seguia meu tranco

feitas de pedrinhas de tudo que é pelo

aquelas do rio, eram pingos sinuêlos

enferrujadas, feito os rosilhos bragados.

...

os restos das pedras da velha mangueira

branqueadas do tempo fazia de mouros

e as pelagens bonitas que ao sol viram ouro

das pedras da estrada do chão colorado

seriam meus pingos de pelo gateado.

Eu era o domador da tropilha mais linda

mas um dia encilhei a realidade da vida

E nunca mais pude doma-los e tê-los.”

 

‘As cifras que valem de verdade para a gente

são feitas de gente e viver o tempo do nosso agora

quando se sofrena o tempo e crava-lhe esporas

buscando um amanhã que não se sabe onde está

ele dispara de forma que não se alcançam as rédeas

e jamais se consegue voltar ao mesmo lugar...’

 

A maior das fortunas segue existindo

Naquilo que cifras não podem comprar

Naquilo que notas nem sabem contar

A Infância simples na estância riqueza

A voz de carinho chamando pra mesa

A mais bela oração pela voz do pai

São lembranças que da alma não sai

Uma chama viva, de saudade acesa.

 

Ao buscar cruzar a pontezinha da sanga

Busquei ganhar asas pra ganhar o mundo

Deixei um lugar de terra e amores fecundos

Para ir pra cidade, conhecer a saudade

Juntar plata... e cavalos de verdade

Mas não sei doma-los como sempre sonhei

Pois o pátio, meus pais, e eu mesmo tombei

Enquanto buscava lutar contra o tempo...

AUTOR(ES) DA LETRA:

Juan Daniel Isernhagen
Balneário Camboriú, SC

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

Edvan Luis Ribeiro (Indio Ribeiro)
Lages, SC

FICHA DE PALCO


Pedro Henrique de Oliveira - Violão Base

ÍNDIO RIBEIRO - Interpretaçao

Daniel Pakri - Violão Base

Cleber Adriano Claro - Violão Solo

Gabriel Araujo - Contrabaixo

Arisson Silva dos Santros - Violão Solo

Fabrício Andrade Padilha - Violão Solo