RASTROS DO TEMPO SOBRE O CHÃO DA ALMA

(MILONGA)

Sapecada da Canção Nativa

RASTROS DO TEMPO SOBRE O CHÃO DA ALMA

 

O hálito morno que chega do campo

Traz ao olfato a estiagem que faz,

O gado se junta na sombra solita

Todo em silêncio remoendo em paz.

 

Resta o arvoredo que rodeava as casa

Sem aves nos galhos nesta solidão.

Taperas se aninham por dentro de nós,

Criando vazios em nosso coração.

 

Marcas do tempo onde cruzaram vidas

Com os rigores de sorte e destino

Vão ficando rastros pelo chão da alma

Para todo e sempre até o fim del camino.

 

 Emoções silentes perfilam passados

Na viagem que segue rumo ao que será?

Se ganha motivos de olhar pra dentro

E entender um sol que um dia chegará.

 

O açude, limpo, beijando coxilhas

Com chorões na taipa pra´o lado nascente

Vestiu-se de juncos que gemem nos ventos

Copiando feições das dores da gente.

 

Pedaços de nós vivem por aqui

Nas grandes distâncias que o tempo criou

Perdas sentidas que cansaram sonhos

Por ausências longas do que já passou.

AUTOR(ES) DA LETRA:

ERON VAZ MATTOS
Bagé, RS

AUTOR(ES) DA MÚSICA:

CRISTIAN CAMARGO
Pelotas, RS